sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Há coisas que surgem na nossa vida, inesperadamente.

Sabemos na sua génese como a criação é fundamentada, como uma fusão e uma cisão posteriores podem ser causa de um acontecimento.

Para isso temos a biologia.

Com mais ou menos conhecimentos o que é facto são os factos da vida (passe a redundância).
E depois a própria vida ainda nos ajuda, dá-nos tempo, qualquer coisa como 270 dias.
Crescemos com a ideia, mental e fisicamente. As dimensões espirituais e físicas mudam.
Acordamos uns dias com espanto e nada é o mesmo dentro de nós.
E fora e com os outros.

Mais tarde, o tempo esgota-se, não dependendo de nós, mas dele, sempre dele, sem remédio.
E num grito, num espasmo súbito, um espaço vazio é ocupado por um novo ser.
E as dimensões remetem-se à sua forma anterior.
Excepto uma.

A dimensão do nosso órgão mais vital, o que bate, o que tem aquele tom surdo que nos acompanha enquanto vivos. Estica como um músculo, enche-se de emoção como um copo de vinho, transborda como uma barragem em Invernos rigorosos.
A partir desse momento, o segundo perfeito, não somos já nós, somos o outro

Sem remédio (...)

Sem comentários:

Enviar um comentário