sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Não chega

Penso incessantemente no que me chega, nas prioridades minhas e dos outros, na angústia de querer saber os limites, os meus e…os dos outros.
Passa o tempo, passa o prazo, passa quase tudo excepto a ânsia da explicação.
E o meu espírito persiste num funambular constante e divaga… porque me chega o voar de uma andorinha……porque fico brilhante quando me chega o mar aos pés…o que é suficiente para um sorriso rasgado quando olho o dia e percebo que estou, ainda.
Pode ser uma só nota de música a passar, a voar, a fumegar por entre nuvens esparsas…e o vento que me agita os cabelos e as faz desaparecer apenas para tornar a trazê-las.
Pode ser uma conversa que, por vezes, é monólogo e outras discussão acesa e que é tão clara que tudo fica branco, melodia, canção.
Pode ser silêncio pontuado com as folhas a dançarem ao sabor da brisa, por vezes mais tarde, o dissecar de uma ausência que se transforma em silêncio.
Pequenas coisas, pequenos desenhos, pequenos sonhos, momentos, pausas.
Tudo pequeno mas é meu, é o meu olhar, é a minha pele a sentir.

Tantas coisas que me chegam, tantas que tenho uma vontade cada vez maior de deitar abaixo os limites da minha vivência e guardar apenas o ar quente ou frio, seco ou molhado, aquele ar que transporta e devolve, afinal, tudo o que me chega.

[para uma qualquer pessoa, em qualquer vão de escada, o que lhe chegará?]

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